O crescimento de Niterói ao longo do século XX, que a consolidou como a segunda cidade mais populosa do estado, trouxe consigo uma ocupação intensa de encostas e fundos de vale. Essa expansão urbana, muitas vezes rápida e sobre terrenos com litologia variada do Complexo Paraíba do Sul, gerou um mosaico de solos residuais jovens, colúvios e áreas de aterro sobre manguezais. Projetar uma fundação superficial aqui exige uma compreensão profunda dessa heterogeneidade. O maciço rochoso aflorante nos morros contrasta radicalmente com as argilas moles das baixadas litorâneas, e ignorar essa transição brusca ao definir a cota de assentamento de uma sapata é um risco que o nosso corpo técnico conhece bem. Para obras em zonas de relevo mais acidentado, é prudente complementar a investigação com um ensaio de placa em carga que valide a capacidade de suporte e o módulo de deformação do terreno in situ.
A falsa competência do solo seco em encostas de Niterói é a principal armadilha para quem projeta fundações superficiais sem investigação geotécnica adequada.



