A ocupação urbana de Niterói, acelerada a partir da construção da Ponte Rio-Niterói em 1974, expandiu-se sobre aterros hidráulicos e planícies costeiras cuja resposta sísmica exige atenção redobrada. A cidade, com seus quase 500 mil habitantes, assenta-se em grande parte sobre depósitos quaternários de areias finas a médias, saturadas e pouco compactas, cenário típico para o desenvolvimento de liquefação de solos sob carregamento cíclico. Realizar uma análise de liquefação de solos com metodologia reconhecida internacionalmente — e calibrada para as condições geotécnicas locais — deixa de ser uma formalidade normativa para se tornar uma exigência incontornável em projetos de fundações profundas, obras viárias e estruturas portuárias na orla de Icaraí, Charitas ou Camboinhas. Diferentemente de uma simples verificação de SPT, a investigação do potencial de liquefação cruza dados de granulometria, densidade relativa, nível d'água e aceleração sísmica de projeto, parâmetros que em Niterói variam de forma expressiva entre a zona sul e a região de Pendotiba. O ensaio CPT, por exemplo, fornece um perfil contínuo da resistência de ponta e do atrito lateral, essencial para aplicar o método de Robertson e Wride, enquanto o MASW mapeia a velocidade da onda cisalhante (Vs) nos primeiros 30 metros — dado fundamental para refinar os fatores de segurança contra a liquefação em solos estratificados.
Em Niterói, solos arenosos saturados nos primeiros 15 metros podem liquefazer com acelerações sísmicas acima de 0,05g — um risco real que a ABNT NBR 15492 exige quantificar.



