A geologia de Niterói impõe desafios distintos conforme se avança do maciço costeiro para as planícies de restinga. Enquanto em Icaraí é comum encontrar o topo rochoso do embasamento cristalino a poucos metros de profundidade, exigindo grande cuidado com a detonação e escavação, nas áreas de aterro da Região Oceânica os sedimentos quaternários saturados escondem paleocanais que comprometem a estabilidade de qualquer fundação direta. A tomografia sísmica decifra essa complexidade: ondas compressionais e cisalhantes geradas em superfície percorrem camadas de solo residual, rocha alterada e sã, e o tempo de percurso registrado por geofones de 4.5 Hz permite reconstruir um modelo de velocidades em duas ou três dimensões. Em uma cidade com 487 mil habitantes e um relevo que mescla morros, vales e uma extensa orla da Baía de Guanabara, ignorar a variabilidade do perfil geotécnico pode duplicar custos de fundação ou, pior, gerar recalques diferenciais irreversíveis.
O contraste de impedância acústica entre aterro e rocha sã em Niterói gera reflexões nítidas: conseguimos mapear o topo rochoso com erro vertical inferior a 5%.



